sábado, 15 de novembro de 2008

Não sei quantas almas tenho


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,


Atento ao que sou e vejo,

Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.


Por isso, alheio, vou lendo

Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

- Um poema puramente filosófico, pois questiona o SER, neste dia Mundial da Filosofia. : )

Susana nº14

3 comentários:

Verónica Fraga nº18 disse...

Adorei o poema,tudo o que é Fernando Pessoa é bom sem sombra de dúvida!!!

Beijinhos*

Rafael 10C disse...

Ya eu concordo com o poema a nível que nunca nos conhecemos por dentro.por mais que tentamos nunca nos chegamos a conhecer totalmente. Algo que outro dia me questionei foi que se a única coisa que nos diferencia de outros animais ser o raciocínio poder diferenciar algo bom de algo mau. Poder racionar sobre algo que nos perturba. a alma do ser humano pode ser algo que propõem uma grande questão. Seremos-nos próprios quem decidimos as coisas ou simplesmente a nossa =alma=
Alma algo oculta algo que nos dos arrepios de uma tal maneira, será que somos sempre os mesmos??? Será que nunca mudamos?? Eu acho que mudamos sempre,quando nos temos de adaptar ou simplesmente nossos sentimentos foram feridos, a nossa tendência é criar uma “almofada protetora” para nos proteger, tal como os ouriços-cacheiros fazem criar uma almofada de picos, nos mudamos nosso modo de agir.
Nem nos próprios conhecemos nossa alma nem sequer os outros
sei que isto pode tar um bocao confuso mas simplesmente sao ideias soltas XP

Susana disse...

:) O meu amor, tem mesmo jeito para isto!